Uma bela tarde. O sol estava quase se pondo no horizonte. Algumas nuvens negras e escuras, com um ar tempestuoso começavam a se formar sobre o aeroporto. O plano de voo era simples: eu decolaria na Itália, e pousaria na Inglaterra. Meu avião era um Boeing 737-800 da Orbit Airlines. Como previsto no plano de voo, eu peço permissão para taxiar para decolagem. Ao receber a aprovação da torre, dou início ao meu táxi tranquilamente até chegar na pista, peço permissão pra taxiar pra decolagem definitiva. Alguns segundos depois da autorização da torre, uma forte chuva começa a cair, já sabendo que aquela decolagem seria um pouco diferente das outras devido a forte incidência de ventos laterais que balançavam o avião de um lado para outro, eu finalmente chego a cabeceira da pista e começo o procedimento de decolagem. Ao terminar de configurar todos os pilotos automáticos do avião, e checar pela ultima vez se tudo estava certo, eu inicio o procedimento final de decolagem. O barulho ensurdecedor das duas turbinas acelerando torna-se cada vez mais constante. O solo começa a se mover embaixo de mim. As numerações e faixas da pista começam a passar cada vez mais rapidamente por debaixo da imensa aeronave. A velocidade entra em V1, a partir daquele momento a decolagem era irreversível. Os fortes ventos colidiam bruscamente contra o avião e o faziam desestabilizar. E como se não bastasse tudo isso, ainda havia a chuva forte que ao bater contra a fuselagem, parecia um choro de alguém que tentava se libertar de alguma coisa mais não conseguia. Aquilo parecia uma eternidade, a pista não terminava e o avião corria pela pista como uma criança que brinca em um quintal. A velocidade atinge a VR e isso indica que o avião está pronto para saltar aos céus e com um leve movimento no manche para trás, os pneus começam a descolar do chão e em segundos eu não pertenço mais ao solo, agora somos parte dos céus assim como os pássaros que voam livremente. E finalmente o avião entra em V2, cruzando a cabeceira da pista e deixando o aeroporto e todo aquele caos e loucura do mundo do solo para trás. A partir dali eram somente nós, o avião, os passageiros e tripulação e os céus com seus trovões, raios, ventos e chuva. Ligo então os pilotos automáticos, e finalmente a aeronave se conduz sozinha pelos céus deixando cada vez mais o aeroporto para trás e acendendo aos céus como uma ave graciosa. Ao levantar os flaps e os trens de pouso, dou início a minha subida para o cruzeiro. Tudo parecia normal a não ser pelos ventos que desestabilizavam o avião a toda hora, jogando-o de um lado para outro como uma criança que brinca com um brinquedo novo. Enfim alcanço o cruzeiro. A altitude era de 35 mil pés. Aquela chuva, aqueles trovoes, aqueles ventos, todos ficaram pra trás, ficaram la em baixo e a unica coisa que se via, era o fim de um por-de-sol tímido, e quieto. Um silencio total tomava conta do cockpit, apenas as conversas entre piloto e torre de comando eram ouvidas dentro da cabine do avião. De repente, em meio a todo aquele silencio que expressava a tranquilidade, e o alivio de enfim ter saído daquela situação horrenda que acabará de passar na decolagem, eis que surge uma aeromoça com a respiração ofegante, olhar de assustada e expressão pálida. Depois de uma pausa de exatos cinco segundos para tomar folego, ela me anuncia que um passageiro, um senhor de idade, estava sofrendo um ataque cardíaco naquele momento, e que um médico a abordo havia dito que se o tal homem não fosse atendido em no máximo quinze minutos, as chances de ele sobreviver seriam totalmente nulas. Uma rápida olhada para o meu copiloto bastou para que me fizesse entender e ele mais que rapidamente tratou de acionar a torre e pedir permissão pra retornar ao aeroporto. Apos explicar toda a situação, enfim a torre libera a pista para o pouso, e eu começo a minha jornada de volta. Uma angustia apertava meu peito de saber que alem de ter que voltar para aquele inferno de ventos, trovoes e chuvas, ainda um de meus passageiros passava mal e precisava de uma atendimento médico urgente. Sua vida estava em minhas mãos, não havia tempo para pensar, decidir ou raciocinar, tudo que tinha de fazer era conduzir o avião o mais rápido possível para o solo e tudo dependia disso. Uma tentativa, uma chance, um acerto. Tinha que ser assim, pois caso contrário não haveria outra chance. Com todos os aparelhos do avião regulados para o novo destino, inicio a minha descida para o aeroporto. Novamente volto a entrar naquele mar aéreo. Nuvens negras, Ventos fortes, Trovões estrondosos que fazia tremer até a lataria do avião. E depois de alguns minutos por entre essa tormenta, eu começo a avistar as luzes do aeroporto, mas a sensação de alivio era extinta pela angustia. Cada milha que eu me aproximava do aeroporto, e cada pé que eu descia, era um aperto maior no peito. Os ventos balançavam a aeronave mais uma vez, e novamente eu tinha que realinha-la porque ela sairá do curso da pista devido aos fortes ventos. A cabeça pesava feito uma pedra. O pensamento de que eu teria apenas uma chance, fazia com que minha cabeça parecesse pesar o dobro do que normalmente. Tendo em vista que se não conseguisse pousar na primeira tentativa, o homem provavelmente não iria aguentar esperar o tempo de dar a volta no aeroporto e iniciar a aproximação novamente, aquela rampa de aproximação se tornava um calvário e a pista poderia ser uma cama macia ou um mar de rosas cheias de espinhos. Eu me preocupava cada vez mais com os ventos que não deixavam o avião alinhado com a pista. Durante a aproximação o rangido dos Flaps descendo em seu grau máximo era de uma tristeza tremenda. As rodas do trem de pouso viravam sozinhas no ar. Eu reduzo a velocidade para 140 nós e os ventos lutam contra a minha mão firme no manche. Finalmente as luzes da pista começam a passar sobre mim. Apenas um pensamento dominava minha cabeça naquela hora: É agora ou nunca!. Quando coloco as manetes na posição de Idle, sinto o leve toque das rodas do trem de pouso traseiro na pista, seguido pelo toque das rodas da frente. Mais que rapidamente aciono os reversos e spoilers e o avião começa seu processo de desaceleração. Uma sensação de alivio tomava conta de meu corpo, enquanto eu observava atentamente as luzes da sirene da ambulância, que se encontrava na ultima taxiway da pista. Finalmente o avião atingi 20 nós, já estava quase parando. Eu retomo a aceleração, pra chegar até o fim da pista. As turbinas tornam a acelerar novamente. Até que ao chegar pero da ambulância, e ver o indicador de velocidade marcando 0 nós, eu aciono os freios de estacionamento e abro as portas do avião. A equipe médica do adentra o avião como uma cavalaria de guera em um campo de batalha. E todo o meu tormento e apreensão só é totalmente extinto quando vejo um dos médico adentrar o cockpit do avião e me dizer: "O senhor passa bem, apesar do suto, ele não terá sequelas, e voltará rapidamente a sua vida normal. Parabéns, o senhor acaba de salvar uma vida!" naquele momento meus olhos se encheram de lagrimas, e eu e meu copiloto caímos em pranto juntos. Só sei que nenhuma medalha, valeu a emoção de ter salvado uma vida mesmo sendo tudo em um simulador.
Capitão André Meneghin para torre, cambio final.

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ResponderExcluirCra muito bom essa história, mesmo parecendo um livro, ficou bom pacaz.Vale a pena ler esse texto enorme xD.Boa!!!
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